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Como parte das comemorações dos 155 anos da Santa Casa de Juiz de Fora, em agosto, o Centro de Hepatologia do Hospital promoverá uma campanha inédita na cidade para detecção e prevenção das hepatites B e C. Numa parceria com o Sindicato Intermunicipal da Classe Econômica do Setor de Beleza de Juiz de Fora e Região (Sinterbel), uma equipe da Escola de Enfermagem da Santa Casa irá aos salões da cidade para realização do teste rápido de detecção da hepatite C, para orientar os profissionais do setor quanto às formas de prevenção e divulgação de material informativo. A equipe também convidará os profissionais a realizarem o exame para detecção da hepatite B na Santa Casa.
De acordo com o coordenador do Centro de Hepatologia, Dr. Pedro Duarte Gaburri, o objetivo é colher dados para realização de um estudo que verificará a prevalência das hepatites virais neste grupo de pessoas. “Algumas pesquisas sobre as hepatites têm sido realizadas no município, mas nenhuma com dados específicos sobre a transmissão da doença por meio dos materiais utilizados pelas manicures. Estimamos que, atualmente, cerca de 1% a 1,5% de toda a população da cidade esteja contaminada com o vírus da hepatite C”, alerta o Dr. Gaburri.
Ciente da importância de estreitar, ainda mais, os laços com a comunidade e da dificuldade deste tipo de profissional de deixar o trabalho para ir até a Santa Casa para participar das campanhas realizadas na Instituição, o Centro de Hepatologia procurou o Sinterbel para firmar a parceria. “Nosso objetivo não é atrapalhar estes profissionais, mas alertá-los para que tenham uma cautela maior, para que protejam a si mesmos e aos clientes e não haja a transmissão da doença de uns para os outros”, afirma o Dr. Pedro Gaburri.
O coordenador do Centro de Hepatologia afirma que as pessoas sabem que existe chance de transmissão de doenças por meio dos ins-trumentos usados para fazer unha. Entretanto, a maioria desconhece que o profissional também corre risco de contrair doenças, principalmente hepatites B e C.
Pesquisa realizada pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo e pelo Instituto Emílio Ribas na capital paulista revelou que uma em cada dez manicures tem o vírus da hepatite, principalmente a hepatite B.
O estudo serve de alerta para a falta de utilização de medidas para evitar a transmissão dos vírus e ainda a desinformação em relação ao risco de contágio dentro da atividade que exercem. Para se ter idéia, 72% desconhecia as formas de transmissão da hepatite B e 85% não sabia como se pega hepatite C. Além disso, 45% acreditava não transmitir qualquer doença a seus clientes. “Em Juiz de Fora, a situação não é diferente”, afirma o presidente do Sinterbel, Wagner Gomes.
O coordenador do Centro de Hepatologia da Santa Casa destaca que existe vacina para a hepatite B, disponível no SUS, e que profissionais como manicures e dentistas deveriam tomá-la como forma de prevenção. Além disso, deveriam usar materiais descartáveis, como luvas e lixas, e esterilizar adequadamente alicates e cortadores de unha e espátulas.
"O grande problema é que essas profissionais também usam o mesmo instrumental para tirar a própria cutícula", afirma o Dr. Pedro Gaburri. Como, em geral, não adotam os cuidados de biossegurança, elas se contaminam com a hepatite e transmitem o vírus às clientes. O equipamento ideal para isso é o autoclave. Na pesquisa paulista, por exemplo, somente por 26% das entrevistadas usava o equipamento, 8% utilizava forninho elétrico e 2% contou não usar nenhum método para esse fim.
Novamente, a realidade se repete em Juiz de Fora, afirma o presidente do Sinterbel. O alto valor do equipamento, que custa cerca de R$ 2 mil, infelizmente, inviabiliza a compra pela maioria das profissionais.
O vírus da hepatite B é 100 vezes mais contagioso que o do HIV, e sobrevive fora do corpo humano em gotículas de sangue por 7 a 10 dias. Um microferimento com objeto anteriormente contaminado por um portador do vírus pode transmiti-lo a outras pessoas embora o contato sexual seja hoje o responsável pela transmissão em 60% dos casos.
A dermatologista Débora Gaburri ressalta que estufas e fornos elétricos, mesmo com luz ultra-violeta não conseguem esterilizar completamente os materiais. Além disso, no caso das lixas de unha, elas podem ser grandes fontes de proliferação de fungos. Já os es-maltes, quando compartilhados, se transformam em meios de cultura para diferentes tipos de bactérias que podem causar outras doenças, como micoses e até infecções graves. O ideal é que cada cliente utilizasse seu próprio kit de manicure completo.
Campanha preventiva
Os teste rápido para detecção da hepatite C é feito com uma “picadinha” de agulha na ponta do dedo para colher uma gota de sangue, e o resultado é fornecido em menos de cinco minutos. A campanha é uma parceria da Santa Casa com o Laboratório Schering Plough que doou o material.
Caso o teste rápido dê positivo, a pessoa é orientada a procurar o Centro de Hepatologia da Santa Casa, que funciona ao lado do Setor de Emergência do Hospital, para a realização de novos exames e, se necessário, dar início ao tratamento.
A hepatite C é uma doença silenciosa na maioria dos casos e para a qual ainda não existe vacina. O vírus é transmitido pelo sangue. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 170 milhões de pessoas estão contaminadas com hepatite C no mundo. No Brasil, seriam cerca de 3,2 milhões, atingindo alguns grupos de maior risco como pessoas que receberam transfusões de sangue antes de 1992/93, usuários de drogas com seringas compartilhadas, pacientes em hemodiálise, acidentes de trabalho em profissionais de saúde, trabalho de parto – mãe para filho (<5%), uso compartilhado de lâminas de barbear, alicates e instrumentos de manicures não adequadamente esterilizados, relação sexual sem proteção (rara). Cerca de 80% das infecções pelo vírus da hepatite C evoluem para casos crônicos, podendo evoluir para a cirrose e câncer de fígado. Um dos grandes problemas da hepatite C é que, a princípio, os sintomas são leves ou até mesmo ausentes. Por tal razão, raramente o diagnóstico ocorre logo no início da doença que só manifesta sintomas em 15% a 20% dos casos agudos, isto é, semanas após a infecção.
No caso da hepatite B, estima-se que cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de infecção crônica pelo vírus. A doença causa inflamação do fígado que, se não for tratada, pode evoluir para cirrose e câncer de fígado. De acordo com o Dr. Pedro Gaburri, estima-se que na macrorregião de Juiz de Fora existam entre 10 mil e 15 mil infectados crônicos com o vírus da hepatite B. A sua maioria não tem sintomas e além do risco de causar danos ao fígado desses pacientes, fazem dos mesmos transmissores para outros que com os mesmos tem convivência próxima.
Os principais sintomas da hepatite B, quando ocorrem, são semelhantes à gripe, associados a urina escura, fezes claras, icterícia (coloração amarelada da pele), fadiga e febre. No entanto, alguns pacientes com hepatite B não apresentam qualquer sintoma, por isso, a realização de exames preventivos regulamente é tão importante.
O Coordenador do Centro de Hepatologia da Santa Casa, Dr. Pedro Gaburri, destaca a importância deste tipo de trabalho junto à comunidade para a detecção precoce da doença e avaliação da época adequada para se iniciar o tratamento. Este é fornecido gratuitamente pelos órgãos públicos, assim como todos os demais exames necessários ao diagnóstico e acompanhamento dos doentes. “É muito freqüente o portador conviver vários anos com a doença sem saber que a possui. Na maioria das vezes, a mesma só é descoberta na realização de algum exame de sangue para estudo das doenças do fígado ou na pesquisa de marcadores da presença do vírus no organismo durante a triagem para uma doação de sangue. Com a campanha, casos assintomáticos poderão ser identificados precocemente, permitindo a adoção das medidas necessárias o mais cedo possível, aumentando assim as chances de cura”, explica o Dr. Gaburri.
“Nosso objetivo, além de prevenção, é também educativo, alertando a todos os grupos de risco para os cuidados que devem adotar”, completa o Dr. Pedro Gaburri.
Gisele Simões
Assessora de Comunicação
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